Dança de Salão
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"Preencha de vida sua dança e preencha de dança sua vida" - Luís Florião. . . Falando, dançando e cuidando da Dança a Dois. . . Samba, lambada, forró e tudo mais. A prática, a teoria, a arte e a política. Viva a nossa arte. . . contato: floriao@ig.com.br

Segunda-feira, Março 29, 2004
Sem palavras



posted by LUÍS FLORIÃO 11:57 PM
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Domingo, Março 28, 2004
Para pensar:
"Sê atento à hora em que o teu espírito deseja falar por meio de parábolas. É ali que a tua virtude tem começo. Somente na dança eu sei contar a parábola das coisas mais altas..."
Nietsche


posted by LUÍS FLORIÃO 2:49 PM
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Porque você não pode desistir!

Esse é um texto muito especial para aqueles que sentem que não vão conseguir continuar, ou pensam que seu aprendizado estacionou. Um convite para meditar melhor acerca de seu momento.

Quando comecei minhas aulas de dança, minha professora dizia que meus braços pareciam cabos de vassoura... Parece brincadeira, não é? Eu via os braços dela, e me encantava com aquela graciosidade a tal ponto, que foi impossível abandonar as aulas. Pensava comigo, "nenhum bebê nasce sabendo, com certeza ela também teve seu período de aprendizado, por que não eu?"

Por diversas vezes, pensei em desistir, mas um bichinho dentro da minha cabeça de menina dizia, "você gosta tanto disso, fica só mais um pouquinho vai!"

Assim eu fui ficando, e, devagar fui descobrindo onde estavam minhas travas, aprendendo a abrir os ferrolhos e colocar lubrificantes nos lugares enferrujados, até que aquele corpo novo, mas muito duro, começou a se mostrar um pouco mais maleável.

Sinto que ao tomar contato com a dança todos nós percebemos o quanto não somos donos de nosso corpo e essa descoberta nos surpreende e assusta ao mesmo tempo. Quantas vezes já ouvi em aula a expressão: "Eu entendi a explicação e estou dizendo a meu corpo o que fazer, mas ele não me obedece...!" Na verdade, creio que num primeiro momento existe um conflito entre compreender mentalmente as ordens e senti-las em nosso corpo. Vivemos numa estrutura social que oferece pouco espaço para o afeto e menos ainda para cuidar de nossa vida interior. Correndo de um lado para o outro, oferecendo nossa eficiência no trabalho, a atenção para os amigos e afins, cuidando de filhos, quando eles já fazem parte de nossa vida... Quando chega a hora de cuidar de nós mesmos, o cansaço fala mais alto e adormecemos na primeira página daquele livro, que tanto queríamos ler, sem energia para chegar ao final do primeiro parágrafo.

As aulas de dança parecem ser um bom começo para retomar o contato perdido... lá atrás, na adolescência, quando ainda nos olhávamos no espelho com curiosidade e espanto, vendo a transformação que a maturidade trazia. Voltamos a ficar curiosos: como será que eu fico numa roupa de dança... Como será quando já souber dançar, quando estarei pronta para fazer uma surpresa para alguém??? Tantas possibilidades e tantos planos, que vão por água abaixo, depois de apenas alguns meses de aula!!! Nada que valha a pena pode ser aprendido em apenas alguns dias, nenhum idioma será dominado em tão pouco tempo. A dança é a linguagem do corpo, se ele não foi treinado para falar, como estará pronto para proferir palestras depois de míseros três meses de preparação?

Dê tempo a si mesmo, permita que as mudanças ocorram dentro de um ritmo normal. Nossas emoções não existem apenas em nossa mente, mas deixam marcas profundas nos músculos, articulações e em toda nossa estrutura enquanto ser humano. Dançar significa permitir a soltura de nossas tensões, o relaxamento do controle, a abertura para os sentimentos. Por abrir tantas portas dentro de nós é que não é tão fácil assim...Respeitando nossos limites damos espaço para que eles afrouxem, como um elástico novo, que de acordo com o uso, fica mais macio e se alonga sem oferecer resistência. A resistência de nosso corpo está diretamente ligada à necessidade de defesa, todo ataque frontal recebe reação imediata; se minarmos nossas defesas devagar e suavemente, ensinaremos a nosso corpo que vale a pena relaxar. Nem toda baixa de defesa, significa ser machucado no final.

Poder expressar-se através de uma arte, no nosso caso, a dança, é uma das maiores dádivas que podemos usufruir na vida, falar com nossos olhos, mãos, pés e tronco. Falar sem proferir palavras, falar direto ao coração de quem nos vê! Dando a oportunidade de interpretação ao outro. Afinal nem todos tem a mesma impressão ao ver um quadro e assim será conosco, cada pessoa que assistir a sua dança terá uma impressão diferente, uma mesma música trará diversas nuances, dependendo de quem a ouve.

Depois de alguns dias em aula você começa a se sentir mais confortável em sala e descobre que nem tudo é tão difícil assim. Já decifra muitos movimentos e percebe que é questão de tempo executá-los com qualidade, aprende a ouvir o que seu corpo lhe pede e respeita os momentos em que ele quer descanso. Inicia os primeiros passos, em forma de seqüências, deslocando-se no espaço e experimentando esse mundo novo. Desse ponto em diante, parte das ilusões iniciais já se foram, conhece outras pessoas e percebe que suas dificuldades são iguais as delas, algumas até parecem penar mais do que você. Na verdade, seu furor inicial já amainou e tudo é visto com maior clareza.

Permita que chegue este momento, acredite em você acima de tudo. O tempo faz milagres em nossa vida, não serve apenas para suavizar a dor, mas também para derrubar as muralhas que não precisamos e liberar nossas asas para que possamos voar livremente. Como dizia a letra de uma antiga canção:

"Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa... me leve com você, no seu sonho mais louco, louco, louco, quero ver seu corpo... lindo leve e solto..."

Michele Otoni - Abril 2002


posted by LUÍS FLORIÃO 1:37 AM
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Sexta-feira, Março 26, 2004
A gente se vê...
Oi, uma foto de Letícia Sabatela, eu e minha equipe em recente trabalho para a Rede Globo.


posted by LUÍS FLORIÃO 9:55 PM
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A criação da associação está cada vez mais próxima
A proposta de não efetivação da candidatura da chapa interessada foi aprovada na reunião do conselho, para que possamos ampliar a divulgação e criar grupos de trabalhos em prol da dança de salão. Quer participar? almad@dancecom.com.br.
Um abraço.


posted by LUÍS FLORIÃO 9:38 PM
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Sábado, Março 13, 2004
Fase final
Queridos colegas,
O estatuto da Andanças já foi escolhido através de plebiscito. O texto que contém as sugestões e modificações feitas ao estatuto base durante o ano passado, passará ainda por uma revisão geral tendo em vista o novo código civil.


posted by LUÍS FLORIÃO 2:29 AM
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Para quem gosta de lambada e zouk...


Lambada: Ééééééé do Brasiiiiil...

A Música do Caribe
O mais correto seria chamar a região de "Os Caribes", considerando que as ilhas foram dominadas por diversos povos europeus, o espanhol, o francês, o inglês e o holandês, dando características muito diferentes a cada uma delas. Na música, isso representou uma enorme diversidade, entretanto quase todos os países utilizam os instrumentos de cordas que vieram da Europa e a percussão africana (basicamente do povo Yorubá).
Muitos acreditam que a lambada - música e dança - sejam produtos culturais do Caribe, também há aqueles que acreditam que lambada e zouk sejam nomes diferentes para o mesmo ritmo e dança, mas nada disso é verdadeiro. Para entender como surgiu a lambada e desfazer essa confusão é preciso saber um pouco mais, separando danças e músicas nesse caldeirão de ritmos.

A Música Zouk
A música caribenha, que é também ingrediente de diversos ritmos brasileiros, sempre teve grande influência no Norte do Brasil.
O zouk é uma dessas músicas. Forte onde ocorreu colonização francesa como a Martinica e Guadalupe, ele é cantado, normalmente, em creòle, uma mistura do francês com línguas africanas.
Estudiosos acreditam que a sua base rítmica pode ser oriunda da cultura árabe. Esta mesma base é encontrada em vários países como Espanha e Portugal, no mundo árabe, no continente africano e em praticamente toda a América.
Uma das versões sobre o surgimento da música zouk afirma que ela foi criada para divulgar a Martinica e ter, a exemplo de Cuba, influência cultural na América Latina. O resultado foi apenas parcial: conseguiram que o ritmo se espalhasse pelo mundo, mas como foi a partir da França, em muitos lugares, inclusive no Brasil, muitos acreditam que a música e a dança sejam francesas. Tanto é que por muito tempo, quando era moda dançar lambada, os zouks eram chamados de lambada francesa.

A Dança Zouk
O zouk - que significa festa - é uma dança praticada no Caribe, principalmente nas ilhas de Guadalupe, Martinica e San Francisco.
A exemplo do merengue, é dançado trocando o peso basicamente nas cabeças dos tempos musicais (o que muitos professores de dança chamam simplesmente de tempo) e sua coreografia é bastante simples e pouco elaborada.

A Música Lambada
Surgida no Pará, a música lambada tem base no carimbó e na guitarrada, influenciada por vários ritmos como a cúmbia, o merengue e o zouk.
Diversos relatos de paraenses contam que uma emissora local chamava de ¿Lambadas¿ as músicas mais vibrantes. O uso transformou o adjetivo em nome próprio, batizando o ritmo cuja paternidade é creditada ao músico Pinduca.
O novo nome e a mistura do carimbó com a música metálica e eletrônica do Caribe caiu no gosto popular, conquistou o público e se estendeu, numa primeira fase, até o Nordeste.
O grande sucesso, no entanto, só aconteceu após a entrada de empresários franceses no negócio. Com uma gigantesca estrutura de marketing e bons músicos, o grupo Kaoma lançou com êxito a lambada na Europa e outros continentes. Adaptada ao ritmo, a música boliviana "Chorando se Foi" tornou-se o carro chefe da novidade pelo mundo.
É uma história recorrente, onde apenas mudam os personagens: a valorização do produto nacional se dá tão somente após a vitória no exterior.
Seguiu-se um período intenso de composições e gravações de lambadas tanto no mercado interno quanto externo. Os franceses, por exemplo, compraram de uma só vez os direitos autorais de centenas de músicas. Dezenas de grupos e diversos cantores pegaram carona no sucesso do ritmo, incrementando suas carreiras, como foi o caso de Sidney Magal, Sandy e Jr, Fafá de Belém e o grupo Balão Mágico.
Depois dessa fase de superexposição, como acontece com quase todas as boas novas de ontem, deu-se um natural desgaste com a conseqüente queda nas vendas até cessar a produção.

A Dança Carimbó
Antes de entrar na dança lambada devemos falar um pouco de uma de suas raízes: O carimbó.
Dança indígena, pertencente ao folclore amazônico vem sendo dançado por lá há séculos. Ascendente direto da lambada é, na forma tradicional, acompanhado por tambores de tronco de árvores afinados a fogo. Atualmente o Carimbó tem como característica ser mais solto e sensual, com muitos giros e movimentos onde a mulher tenta cobrir o homem com a saia.

A Dança Lambada
A lambada dança teve sua origem a partir de uma mudança do carimbó que passou a ser dançado por duplas abraçadas ao invés de duplas soltas. Assim como o forró, a lambada tem na polca sua referência principal para o passo básico, somando-se o balão apagado, o pião e outras figuras do maxixe.
Usa, normalmente, as cabeças dos tempos e o meio do tempo par, se começarmos a dançar no "um", para as trocas de peso (pisa-se no "um", no "dois" e no "e" - que é chamado comumente de contratempo).
A lambada chega a Porto Seguro, e ali se desenvolve. Boas referências foram a Lambada Boca da Barra, em Porto, e o Jatobar em Arraial D´Ajuda, onde desde o início também zouks (lambadas francesas) serviram para embalar os lambadeiros.
Tudo isso acontece na época do apogeu do carnaval baiano, que ditava uma moda atrás da outra, e numa delas, apresentou a lambada ao Brasil.
Essa segunda fase da dança durou apenas uma temporada e foi um pouco mais abrangente que a primeira, que só havia chegado até o nordeste.
Até esse ponto a lambada tinha como principal característica os casais abraçados. Era uma exigência tão forte que, quando da realização de alguns concursos, aqueles que se separassem eram desclassificados.
No exterior e aqui, a lambada torna-se um grande sucesso e em pouco tempo estava presente em filmes e praticamente todos os programas de auditório aparecendo até em novelas. É a hora dos grandes concursos e shows. A necessidade do espetáculo faz com que os dançarinos criem coreografias cada vez mais ousadas, com giros e acrobacias.
Depois de algum tempo, a música lambada entra em crise e pára de ser gravada. Os Djs das boates aproveitam então para simular o enterro do estilo musical.
A dança perde destaque, mas sobrevive, pois já haviam sido feitas nas lambaterias muitas experiências com variados estilos de música que tivessem a batida (base de marcação) que permitisse dançar lambada, só para citar um exemplo, a banda de rumba flamenca Gipsy Kings teve vendagem significativa por aqui por conta da dança, então as músicas francesas, espanholas, árabes, americanas, africanas, caribenhas etc. viraram a "salvação" e solução para a continuidade do estilo de dança. De todas, o zouk foi o ritmo que melhor se encaixou na nossa dança tornando-se a principal música para dançar lambada.
Esta passa a ser dançada com um andamento mais lento, com mais tempo e pausas que praticamente não existiam na música lambada, permitindo explorar ao máximo a sensualidade, plasticidade e beleza da nossa criação. Os movimentos ficaram mais suaves e continuam fluindo, modificando-se à medida que ela incorpora e troca com outras modalidades. Contribuem ainda as diversas pesquisas, até fora da dança de salão, como por exemplo, as de contato e improvisação.
Hoje a relação com o parceiro volta a ganhar valor, as acrobacias ficam praticamente exclusivas para os palcos e os locais para dançar reabrem em diversos estados.
Mesmo não tendo, por parte de alguns, o devido reconhecimento, a lambada mostrou-se um grande incremento profissional.
Encontramos lambaterias e professores de lambada em diversos pontos do planeta e ainda que a chamem de zouk, muitos viveram e vivem dela até hoje.
De toda essa história ficaram ótimos frutos, por exemplo: uma boa parte dos talentos da dança de salão de hoje surgiram a partir da lambada; a apresentação da dança a dois aos jovens; a visibilidade internacional conquistada - a lambada é a nossa dança de par mais conhecida no exterior (mais até que o samba) e principalmente o resgate do direito de dançar abraçado, perdido a décadas.
Aqui termino esse conto, mas essa história está muito longe de acabar.

Luís Florião - pesquisador, professor e idealizador do Movimento Lambada Brasil


posted by LUÍS FLORIÃO 2:25 AM
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Para quem gosta de forró...


DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE O FORRÓ

Forró - A Música

Para definir as bases do forró temos que falar um pouco do baião. A palavra baião que quer dizer baiano, bailão ou bailar, designava, originalmente, uma introdução, um "aquecimento" que dois ou mais cantores faziam para esperar a inspiração e só então começar a cantar para valer, revezando-se em repentes e músicas regionais para animar as festas e encontros.

O grande Luiz Gonzaga foi o responsável por fazer do baião um gênero musical, ao desenvolver aquela introdução, criando, gravando e difundindo o baião, já como música inteira, não mais limitada ao som da viola do cantador, mas com letra, arranjo e toda orquestração sertaneja.

Foi também Luiz Gonzaga quem desenvolveu o estilo musical que hoje conhecemos como forró quando deu molho, balanço e tornou o ritmo do baião - que é mais quadrado - mais picado e acelerado.

Forró - A Festa

Se você for convidado para ir a um forró, vá! Todo mundo sabe que ir ao forró é ir a um local onde acontece um baile com muita música e dança. Mas por que forró?

"Foi o maior forrobodó" - significava ter sido a maior bagunça, desordem, briga. Alguns historiadores afirmam que a palavra forró seria a corruptela de forrobodó, e assim teria origem pejorativa, como também acontece com "gafieira" que designava um local onde se cometem gafes.

Outros estudiosos sustentam que a palavra forrobodó, da qual teria se originado o nome forró, já era conhecida e usada a vários séculos como designação de baile ou festa com danças e cantorias. Pelos forrós do Brasil dançou-se muita mazurca, polca, xote, xaxado e coco. Mais modernamente o baião e o forró encontraram também seu apogeu.

Geraldo Azevedo difundiu, na sua música "For all para todos", que a denominação forró surgiu quando da inauguração da primeira estrada de ferro brasileira por ter a Great Western promovido uma festa com livre acesso a todos - em inglês "for all" - e que o povo acabou mudando a pronúncia.

No filme brasileiro "For All" essa versão foi contestada, já que o termo teria surgido no tempo da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar americana instalada no Brasil promovia as festas "for all". Há ainda importantes historiadores mais radicais, que afirmam que isto é apenas uma história interessante, porém pura fantasia. Dizem ainda que se esse fosse o caso as pessoas tenderiam a falar foral, ou até foró, mas não forró que tem pronúncia mais elaborada.

Forró - A Dança

O forró tradicional que é ainda dançado no interior e em algumas escolas de dança de salão, foi influenciado por diversos folguedos e danças populares, tais como o xaxado, o xote, o frevo e o baião, sendo que, interessantemente sua base principal (o pisa o milho) é muito semelhante ao carimbó.

O forró genuíno é sensual, alegre e se caracteriza por movimentos muito marcados, fortes, bem definidos e que lembram em alguns momentos danças indígenas.

Recentemente jovens passaram a dançar ao som do forró "pé de serra" (que tradicionalmente é tocado com zabumba, triângulo e sanfona) uma mistura de estilos que muito tem a ver com a salsa e o "soltinho" que é chamada de forró universitário. Por outro lado, com o surgimento do forróck - forró executado (cabe aqui os dois sentidos da palavra) com aparelhagem de som eletrônica e sintetizador, em cidades como Fortaleza e Recife passou-se a dançar o que seria o "forró estilizado" e que é muito mais próximo da lambada moderna.

Esses fenômenos têm sua importância na medida em que atraíram os jovens para os salões e fizeram ressurgir o forró, porém fogem completamente das bases desta dança e o olhar do povo é comparativo, buscando sempre o mais vistoso, o que tem mais brilho, o que muitas vezes pode levar a sérios enganos.

Espera-se que a renovação, o desenvolvimento e a evolução de qualquer manifestação artística, respeite as bases e raízes desta arte. Só assim mantém-se a tradição e a cultura de um povo. A dança por ser uma arte de movimento exige especial atenção na sua preservação.

O problema não está na continuação e nas mudanças, mas na ruptura, no aprendizado errado das características de cada modalidade. Isso sim pode e costuma causar distorções maléficas.

Luís Florião


* Interessantes fontes de pesquisa que devem ser consultadas por aqueles que queiram saber mais, sendo que também serviram para a elaboração deste trabalho: Dicionário do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo, os trabalhos dos pesquisadores Eleuda de Carvalho e Alberto Ikeda, e também o Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda.


posted by LUÍS FLORIÃO 2:24 AM
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Segunda-feira, Março 08, 2004
Para pensar
"A sabedoria está no administrar o que se conhece e o que ainda é ignorado."
Jurandir Argolo com adaptação de Luís Florião


posted by LUÍS FLORIÃO 9:24 AM
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